Durante ato de 30 anos da CUT, ex-presidente diz que campo progressista não pode esperar cobertura positiva de veículos tradicionais que 'defenderam a ditadura'
Lula conversa com sindicalistas na chegada ao evento da CUT (Foto: Juliana Knobel/Frame/Folhapress)
Paulo - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu hoje (27) que o movimento sindical e os setores progressistas da sociedade invistam mais na organização de seus próprios meios de comunicação, ao invés de esperar imparcialidade da mídia tradicional e conservadora em relação aos governos e às reivindicações de esquerda.
Para ele, é preciso parar de reclamar por não ter saído no jornal ou ganhado destaque na imprensa. “Esses formadores de opinião pública defenderam a ditadura”, disse Lula, durante o ato que deu início às comemorações dos 30 ano da CUT, em São Paulo.
“Essa gente nunca quis que houvesse eleições, só publicaram os protestos da Diretas-Já quando já havia 300 mil nas ruas, só publicaram quando já estávamos na rua”, disse o ex-presidente.
Segundo ele, a esquerda tem condições de organizar instrumentos que formem um “pensamento coletivo e unitário” para se contrapor aos ataques da direita.
“Por que a gente não começa a organizar a nossa mídia? Ao invés de cada um ficar falando o que pensa, por que não organizamos um pensamento coletivo? Nós podemos fazer isso”, defendeu.
Dirigindo-se ao presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, Lula afirmou que a entidade tem que “dar um salto” e passar a atuar mais no auxílio aos movimentos sociais com pouca estrutura. “Economicismo é bom, mas não é tudo. Um pouco de política e organicidade vale pra caramba”, disse.
O ex-presidente cobrou ainda maior mobilização popular da central. “A CUT tem que ir pra rua. Não nasceu pra ficar dentro de um prédio”.
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