Deputado paranaense quer reeditar o AI-5 nas escolas, oficializar a mordaça e a perseguição política a estudantes
Esse merece a tag #eu_tenho_medo_do_deputado_Marcelo_Rangel !!!.
Na
versão impressa, o protocolo que consta na autenticação eletrônica é de
nº 002817 DAP Assembleia Legislativa do Paraná - 09/05/2011 (16h08).
O deputado do “asséptico” PPS de Ponta Grossa, Marcelo Rangel, cupincha de Beto Richa, colocou em tramitação na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) o projeto de lei nº 387/2011, que institui o programa “Ficha Limpa” nas escolas do estado.
Como é que é?! Por trás
de um nome que caiu no gosto da população e serviu para “caçar”
(literalmente) os candidatos a cargos públicos que legislam ou comandam a
execução de bens, recursos e serviços públicos, o projeto visa
instituir de vez a mordaça, a perseguição política, a criminalização de
lideranças e reeditar o Ato Institucional número 5 (AI-5) da ditadura militar para o movimento estudantil. Ele prega o “impedimento, para compor as chapas a concorrerem aos Grêmios Estudantis, de alunos que tenham contra si qualquer tipo de registro de advertência por ato de indisciplina ou desordem da instituição de ensino, nos últimos 2 (dois) anos anteriores à data do registro da chapa”. E vai além: “entende-se como ato de indisciplina ou desordem (…), qualquer advertência, suspensão, repreensão ou documento expedido
por um colegiado de professores e/ou de autoridades escolares, visando a
reprimenda ao aluno que provocou desordem ou agiu com indisciplina”. Tal impedimento estende-se a TODOS OS CARGOS da chapa a ser estruturada e não só ao de presidente do Grêmio.
Serão atingidas por essa barbaridade
todas as instituições de ensino que possuam representação estudantil e,
onde isso não aconteça, o projeto “ideia de jerico” sugere que a direção
dessas escolas incentive a prática de representação. Na ditadura,
que parece estar viva apenas na memória de velhos combatentes como nós,
escaldados de autoritarismos, os centros acadêmicos (CA’s) das
universidades foram fechados, direções eleitas foram dissolvidas e se
manteve apenas representações com dirigentes biônicos, que eram meros
interventores do regime totalitário nas universidades. Graças à
“radicalização”, à “crítica”, à “indisciplina” ou à “desordem” dos
estudantes, que motivou as maiores atrocidades, torturas e perseguições políticas por parte da ditadura militar, a democracia foi aos poucos restituída
no Brasil e os movimentos sociais e a população ganharam novamente a
voz e o olhar atento sobre os destinos da Nação. No mundo todo, o ano de 1968 foi marcado pelos grandes protestos estudantis em defesa das liberdades individuais e políticas.
Por fim, a redenção…
Outra pérola da proposição de Rangel está no artigo 6º, que doutrina o “bom comportamento” (para quem, cara pálida?): “Como
o Programa visa incentivar a boa conduta na liderança entre os jovens,
nos casos em que o aluno infrator receber punição sem registro ou
redimir-se da punição registrada através de qualquer ato, negociado com
autoridade escolar, este restará isento do impedimento desta Lei”.
Na justificativa de tal proposta, o autor alega que quer incentivar uma
espécie de auxílio à formação dos futuros representantes do povo e diz –
sabe-se lá se inspirado no “Mein Kampf” ou nos preceitos da Santa Inquisição
– que esses, desde cedo, “deverão saber o significado e a importância
de uma boa conduta para a moralidade das representações”. E conclui,
citando o exemplo do Colégio La Salle Cannoas, do Rio Grande do Sul, que
teria implantado o “ficha limpa” no Grêmio e hoje a política estudantil
goza de respeito e aprovação por parte da diretora do Colégio. Ah, tá!
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