domingo, 7 de novembro de 2010

POLÍTICA LONDRINA Todos negam, mas políticos londrinenses já iniciaram corrida para a sucessão do prefeito Homero Barbosa Neto (PDT)


Ao avaliar o que as urnas disseram domingo passado, no segundo turno da eleição presidencial, os partidos políticos já estão com a cabeça voltada para 2012, quando serão eleitos prefeitos e vereadores. Em Londrina, apesar de o discurso oficial dos políticos passar pelo argumento de que 2012 ainda está longe, já circulam até pesquisas de intenção de voto para prefeito. Nada que defina o quadro da sucessão do atual ocupante do cargo, o prefeito Barbosa Neto (PDT), que ainda não chegou à metade do seu mandato. Mas o suficiente para que as peças se movam no tabuleiro já subordinadas à próxima batalha.

Os cálculos, além de políticos, são aritméticos. No PSDB, que teve candidatos a governador e a presidente superando a barreira dos 70% dos votos válidos, preocupa-se em superar os 23% obtidos por Luiz Carlos Hauly no primeiro turno da disputa pela prefeitura, em 2008. Se venceram sete dos nove turnos de eleições presidenciais desde 1989 em Londrina, os tucanos têm desempenho oposto em eleições para prefeito: desde 1992, quando foi realizada a primeira eleição para prefeito em dois turnos, o PSDB ganhou apenas um dos 11 turnos disputados. Chegou quatro vezes ao segundo turno e perdeu todas. Perdeu até o “terceiro turno” da eleição de 2008, realizada já no ano passado.

Cauteloso, o deputado Hauly, principal nome do partido na cidade e provável candidato tucano para 2012, evita falar na sucessão de Barbosa Neto. Na semana passada, questionado pelo JL sobre sua avaliação a respeito do resultado da eleição presidencial em Londrina e o início da formação do cenário da eleição para prefeito, o tucano evitou o assunto: “Primeiro encerrar essa eleição e ficar nela. Não dá para pensar sem o novo governo, é prematuro ainda”.

Já o PT, que em Londrina venceu apenas um dos 10 turnos de eleições presidenciais que disputou, mas elegeu prefeito três vezes, está a caminho do divã. Para o deputado federal reeleito André Vargas (PT), terceiro mais votado do Estado, mas com apenas 20 mil votos em Londrina, a sociedade não deu importância às obras feitas pelo governo federal na cidade. “Londrina é a única cidade que tem duas instituições de ensino federal e a cidade não deu muita importância, principalmente os formadores de opinião”, criticou.

Um sintoma do desgaste do PT em Londrina é que o petista Nedson Micheleti, duas vezes prefeito, obteve 7.400 votos para deputado estadual na neste ano. Alguns setores do partido cogitam não lançar candidato próprio a prefeito em 2012. O vereador Jacks Dias (PT) descarta essa hipótese. Segundo ele, existem pelo menos quatro postulantes (além de Vargas e Nedson, ele cita a ex-reitora da UEL Lygia Puppato e a ministra do Desenvolvimento Social, Márcia Lopes). “Teremos prévias”, garantiu.

Antonio Belinati diz que seu grupo político lançará candidato próprio

Os problemas de Antonio Belinati (PP) com a Lei da Ficha Limpa podem forçar a transição de gerações no grupo belinatista. Vencedor das eleições municipais em 2008, Belinati, que é seguido por uma fatia do eleitorado superior a 30% (foram 32% no primeiro turno de 2004 e 36% em 2008), teve a candidatura a prefeito cassada dois dias depois do segundo turno. Neste ano, quando o TRE cassou o registro da candidatura à reeleição para a Assembléia Legislativa, ele tentou transferir os votos para o filho, Antonio Carlos Belinati (PP). Não conseguiu.

“Teremos candidato próprio. Pode ser eu, o Marcelo Belinati ou a Sandra Graça [vereadores pelo PP]”, garantiu Belinati. Com essa fala, ele também esvazia especulações sobre a possibilidade de o seu grupo abrir mão de lançar candidato a prefeito, abrindo espaço para que o PSDB do governador eleito Beto Richa e do deputado federal Luiz Carlos Hauly – que já disputou a prefeitura quatro vezes – ultrapasse a barreira dos 23% que tem recebido em primeiros turnos desde 2000.

“Nosso apoio a Richa e José Serra não foi nenhum compromisso com partidos políticos, não é um alinhamento partidário”, declarou o deputado estadual.

No front governista, o prefeito Barbosa Neto (PDT), que perdeu quatro meses de mandato por conta do imbróglio do “terceiro turno”, não admite ainda publicamente que tentará a reeleição, mas trabalha por isso. “Precisamos cumprir com os compromissos de campanha. Não pensei ainda nisso [reeleição]”, declarou o pedetista, que considera “natural” tentar um segundo mandato. Até para ter mais tempo para colocar seus programas em prática, já que houve uma redução do tempo do atual mandato, que começou em maio do ano passado.

Barbosa defendeu “um pouco de normalidade [fora do clima eleitoral] para poder administrar”. Nessa agenda, amanhã será um dia importante: os secretários municipais terão que levar cronogramas de cumprimento dos projetos para a segunda metade do mandato. Os cronogramas preveem as etapas de cumprimento mês a mês, até dezembro de 2012. Se a máquina funcionar, Barbosa acredita que terá muito a mostrar para a cidade.

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