sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Marcelo Branco sugere setor de mídias sociais para governo Dilma



No primeiro dia como presidente eleita, Dilma tuitou: “É uma honra e uma grande emoção ser escolhida para presidir meu país. Prometo a cada brasileiro e a cada brasileira minha total dedicação.” O tweet foi feito na última segunda (1) e, pelo menos até a publicação deste post, o perfil @dilmabr não teve mais atualização.

O aparente abandono após a campanha deixa uma dúvida na cuca daqueles que acompanham o Twitter: como Dilma vai usar as mídias sociais no seu governo? O ex-candidato tucano José Serra, que demonstra ter familiaridade com o Twitter, já anunciou que segue na rede de microblogs, por exemplo.
Para tentar sanar as incertezas, conversamos com Marcelo Branco, que coordenou a campanha de mídias digitais da petista, para saber como vai ser o uso no Planalto das mídias sociais. Ele foi pontual: “Eu defendo que [o Twitter @dilmabr] seja usado, e que seja até melhor usado do que foi na campanha.”

Só que isso não depende mais de Branco. Ele revela que seu trabalho como estrategista de mídias digitais para Dilma encerrou com a votação e que não vai compor a equipe do governo. Mas explicou que há uma “sensibilização” por parte da equipe que elegeu Dilma para que se use mais as mídias sociais.

Branco disse que vai ajudar “no que puder para que as mídias sociais sejam usadas ao máximo, mas agora isso depende das pessoas que vão entrar.” O entusiasta das redes foi categórico sobre como isso foi feito até agora: “Precisa ser necessariamente muito melhor do que o usado durante o governo Lula.”

Depende de quem?

Se as mídias sociais vão ser usadas ou não na gestão de Dilma, isso depende, além do interesse da presidente, de dois setores de comunicação: aSecretaria de Imprensa da Presidência da República e a Secretaria de Comunicação Social, responsáveis por  iniciativas como o Blog do Planalto. Mas Branco vai além, e acha que mais do que jornalismo e publicidade, as secretarias têm que criar um setor de mídias sociais.

Um país que recentemente passou a utilizar as redes sociais no trabalho de comunicação do governo foi a Argentina. Além do perfil oficial da presidente Cristina Kischner, a instituição conta com espaços como um canal no YouTube:



Pelo canal "Casa Rosada", no YouTube, o governo argentino sobe vídeos de discursos e declarações oficiais. Para Marcelo Branco, a iniciativa é "referência"


#Dilmanarede é a principal herança

Em setembro, Branco anunciou que a plataforma #dilmanarede, que virou ponto de encontro da militância petista na web, iria continuar depois da campanha. “Temos uma estrutura mínima de jornalistas para manter o blog funcionando, para fazer a cobertura da transição até a posse“, explica.

A ideia é que a Dilma possa usar o espaço como presidenta para ter expressão na rede.” A forma como o projeto vai ser utilizado dentro do governo ainda deve ser decidida até janeiro. É esperar para ver.

Balanço da campanha

Na conversa, Marcelo Branco também fez um balanço da campanha petista. Além dos pontos já comentados pela TwitCam no último domingo (1), ele destacou que o grande desafio foi fazer campanha na internet quando o principal eleitorado de Dilma não tinha acesso à tecnologia. ”Passamos por uma superação. As bases que apoiam o governo são os excluídos digitais.”

Branco aproveitou para lembrar alguns eventos que foram destaque nas mídias digitais, entre eles o DilmaFactsByFolha e o episódio da capa da revista Época. Ambas foram reações de militantes a publicações sobre a então candidata Dilma.

Para ele, enquanto a campanha de Serra tinha um fluxo de informação que ia dos grandes meios de comunicação para os eleitores, a campanha de Dilma fazia o caminho contrário. “Muitas vezes pautamos a grande mídia“, lembra.

No geral, Branco considera o resultado bastante positivo. “Para a mídia convencional, a mídia social entrou como um intruso e incomodou as velhas estruturas“, sentenciou.

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