segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A verdadeira história do dossiê – Serra X Aécio Neves

Serra não se indignou com máfias vendendo dados sigilosos no centro de São Paulo
A São Paulo de José Serra (PSDB) e Geraldo Alckmin (PSDB) tem as cracolândias, e tem a "vazamentolândia".
É na Rua Santa Ifigênia, no centro da capital paulista, onde sistematicamente comete-se o crime de vender CD’s e DVD’s com cadastros sigilosos diversos.
Reportagem de O Globo, do último dia 24 de agosto, mostrou que era possível comprar cadastros do Denatran, INSS, de clientes do Itaú Unibanco.
O portal R7 também fez reportagem, e encontrou à venda cadastros antigos da Receita Federal.
Em outubro de 2009, o SBT mostrou reportagem, com venda da dados do DETRAN paulista, e de senhas de um sistema para uso exclusivo de policiais e outras autoridades.
Veja como José Serra comenta no ano passado, o vazamento de seus dados, de sua mulher e de seus filhos com naturalidade, sem a indignação que finge manifestar hoje:

 
Quebra de sigilo: matérias desmontam versão de Serra

Durante o governo FHC, cerca de 17 milhões de brasileiros tiveram seu sigilo quebrado, inclusive o fiscal. Em 2009, um requerimento expedido por Arnaldo Faria de Sá ao presidente da CPI destinada a apurar a Violência Urbana pedia uma audiência pública para apurar que dados fiscais sigilosos estavam sendo vendidos por camelôs de São Paulo. Reportagem do SBT Brasil mostra que Serra já sabia que seu sigilo fiscal tinha sido quebrado pelo menos desde outubro de 2009. Site também oferecia dados sigilosos do presidente Lula e de sua família. Analista da Vox Populi diz que acusação de Serra não está provocando nenhuma mudança no cenário eleitoral.
Redação
Uma matéria feita pelo SBT Brasil revelou que o assunto de quebra de sigilos por uma máfia que atua em São Paulo já era conhecido pelo candidato tucano José Serra desde, pelo menos, outubro de 2009. Na matéria, o próprio Serra comenta a devassa de sua declaração e de sua mulher com total calma e naturalidade, sem dizer que foi o PT, ou que é por motivos eleitorais. Apesar disso, a campanha de Serra insiste em usar o tema da quebra de sigilo contra a candidatura de Dilma Rousseff. Sem sucesso até aqui. 
Nesta quinta-feira, o
 blog do Nassif publicou uma análise de João Francisco Meira, do Vox Populi, sobre o tracking do IG-Bandeirantes: segundo esse levantamento diário, o tema da quebra do sigilo, abraçado por Serra, não está provocando nenhuma mudança na intenção de voto dos eleitores. Nassif escreve: 
Não existe nenhuma oscilação significativa, diz ele. Dada a natureza do tracking, tem que se acompanhar a curva dos candidatos, não os resultados diários. E a curva não mostra nenhuma alteração significativa após o caso do tal dossiê. Metade da população ficou sabendo do assunto, diz ele. Dessa metade, os eleitores da Dilma tendem a acreditar nela, os do Serra, nele, e os indecisos tendem a acreditar mais na Dilma que no Serra.
 
Ele não entende o fuzuê em torno da quebra de sigilo. «Vocês, jornalistas, estão carecas de saber que sigilo fiscal no Brasil é uma peneira», diz ele. Em qualquer loja que se vá, na compra de um carro, de um eletrodoméstico, o gerente pede um instante para consultar o crédito. Liga para um sujeito denominado de analista de crédito que tem todas as informações do candidato ao financiamento, do Imposto de Renda ao Serasa. Basta uma olhada no Google para encontrar centenas de traficantes de informações sigilosas, diz ele.
 
Ligar esse tema à campanha é forçar a barra.
 
17 milhões de sigilos quebrados nos anos FHC
 
No
 site Brasilwiki, João Paulo Marat mostra como, durante o governo FHC, cerca de 17 milhões de brasileiros tiveram seu sigilo quebrado, inclusive o fiscal. Marat indica matérias e documentos da Câmara Federal sobre o assunto. Ele escreve: 
A ação da quadrilha que quebra sigilos fiscais não é desta eleição, nem de ontem, nem deste ano. É uma praga que atinge o Brasil há muito, e não é uma "estratégia" da campanha de Dilma Roussef, como tanto gostariam os integrantes do PSDB e do DEM. Documentos provam que, ainda em 2009, um requerimento expedido por Arnaldo Faria de Sá ao presidente da CPI destinada a apurar a Violência Urbana pedia uma audiência pública para apurar que dados fiscais sigilosos estavam sendo vendidos por camelôs de São Paulo – em 2009. Entre os que tiveram seus sigilos violados estavam o presidente da República, Luís Inácio Lula, o ministro Mantega, o governador José Serra, Verônica Serra e outros menos cotados. É só conferir em
 
http://www.camara.gov.br/sileg/integras/699422.pdf
 
Por volta dos anos 2000 e 2001, a Receita Federal iniciava informatização dos dados fiscais e cadastrais dasPessoas físicas e Jurídicas. Em razão desta atualização, foram disponibilizados os bancos de dados completos das pessoas físicas e jurídicas por algum tempo. Em 2008, o SBT fez uma reportagem que havia, no bairro paulista da Santa Ifigênia, pessoas que vendiam a senha para acesso aos bancos de dados do Serpro. O assunto chegou a ser publicado, na época, no jornalão Folha de São Paulo:
 
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u439202.shtml
 
Isso foi há 10 anos, quando Fernando Henrique Cardoso era presidente. Nesta ocasião, vazaram da Receita Federal os dados do Imposto de Renda do próprio FH, Sílvio Santos, Gugu Liberato e dados cadastrais de 17 milhões de brasileiros.
 
Atualmente, FHC, que viaja pelo exterior desde que Serra se lançou candidato, pede em seus artigos que Dilma Rouseff seja penalizada. Os dados eram vendidos em disquete, pela quantia de R$ 6 mil e a desfaçatez era tanta que chegavam a anunciar em classificados de jornal. O assunto não ganhou as manchetes dos jornais. Era um caso de polícia.
O Conversa Afiada reproduz e-mail do amigo navegante Rogério:
Caro PHA:

Esse vídeo aqui, do SBT de alguns anos atrás, quando se soube que na rua Santa Ifigênia se comprava a senha para acessar mais de 17 milhões de sigilos fiscais,  mostra  um Serra muito tranquilo, falando que toda sua familia tinha sido acessada, e que era um absurdo, mas ficando claro que isso já era totalmente conhecido. Está sendo feita uma tempestade em copo dágua, apenas com finalidade eleitoral…

Divulgar é fundamental!

Forte abraço,

Rogério

Nassif,
Mais inacreditável do que isso é o fato de que existe uma matéria feita pelo SBT BRASIL, tratando do assunto de quebra de sigilos por uma máfia que atua em São Paulo, na qual o próprio José Serra comenta o fato do vasamento de sua declaração e de sua mulher com total calma e naturalidade, sem dizer que foi o PT, ou que é por motivos eleitorais. A reportagem ainda comenta sobre a violação de várias outras autoridades e pessoas comuns incluindo aí a própria Veronica Serra, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua mulher, Guido Mantega, etc..
aqui está o link do video no youtube.
Acho que está mais que na hora de desmascarar essa história toda! Você com sua influência estou seguro que consegue! Esse video é prova cabal de que José Serra está explorando uma mentira para ganhar terreno em uma eleição perdida para ele!
Abs,
Renato Machado



VEJA O QUE DIZEM OS ESPECIALISTAS:
Em debate sobre a quebra de sigilo na Receita, o professor Pedro Serrano da PUC-SP declarou: “PSDB quis resolver no tapetão uma eleição que tem que se resolver nas urnas”. Criticou ainda a cobertura da mídia: “o problema é ficar um clima midiático como se tivesse presumindo como se a Dilma fosse culpada por tudo o que ocorre na máquina federal”.

A ORIGEM DO DOSSIÊ VEM DE MINAS GERAIS – AÉCIO NEVES
PT traz o livro de Amaury para o debate
Esse blogueiro, humildemente, foi o primeiro a informar que o assessor de Comunicação de Serra, Marcio Aith, estava doido para falar com  Amaury Ribeiro Jr – o jornalista que tem pronto um livro sobre as privatizações tucanas e sobre as estranhas relações de Serra com Daniel Dantas.
Escrevi sobre isso na sexta-feira, aqui.
Durante o feriado, Claudio Humberto deu destaque ao fato. E o PT se movimentou: pediu que a PF ouça Amaury. Agora, o secretário de Comunicação do PT, Andre Vargas, é mais explícito:
André Vargas vincula à proximidade entre o ex-prefeito petista de Belo Horizonte Fernando Pimentel e o ex-governador Aécio Neves (PSDB) a queda de denúncias de dossiês “no colo” do partido. Os dois eram aliados na política estadual. Em seu perfil no Twitter (@andrevargas13), o secretário petista sintetizou: “Amaury fora de controle Aécio via Pimentel plantou no colo do PT aquilo que não temos nada a ver. Antídoto contra informações comprometedoras”.
Confiram a matéria completa no Portal Terra.
Entenderam por que Marcio Aith procurou Amaury?
Para quem não está acompanhando o assunto (e não conseguirá acompanhar pela velha mídia, porque ela esconde essa parte da história), segue um  resumo. Confiram:
1) No segundo semestre de 2009, Serra e Aécio travavam disputa pela candidatura tucana. Serra teria feito um dossiê sobre Aécio, e mandodo recados, através de jornalistas amigos, sobre hábitos pouco ortodoxos do tucano mineiro. Aécio reagiu. Teria pedido ajuda do jornal “O Estado de Minas” para investigar Serra. A tarefa ficou para Amaury e outros jornalistas que trabalhavam naquela publicação.
2) Fim de 2009/Começo de 2010 – Aécio e Serra acertam um cessar-fogo. Serra sai candidato, mas deixa Aécio magoado pela forma como agiu nos bastidores. As denúncias de Amaury não são publicadas, e ele deixa o jornal.
3) Amaury teria se aproximado da campanha do PT, levando o material sobre Serra. O material não foi aceito. Amaury guardou tudo e anunciou aos amigos que escreveria um livro sobre as privatizações e as sociedades da família Serra com certos empresários. Detalhe: quem teria levado Amaury para a campanha do PT? O ex-prefeito de BH Fernando Pimentel, que é próximo de Aécio.
4) Caso vazou na velha mídia em junho de 2010, mas sem todos os detalhes sobre o início da investigação (que teria sido encomendada por Aécio).
5) No mesmo mês, Leandro Fortes publicou na “CartaCapital” reportagem reveladora, com todos os detalhes sobre o caso.
6) Agosto/2010 – desesperado com a queda nas pesquisas, Serra resolveu usar o caso, mas sem revelar a vertente mineira. Por acreditar que  controla o Brasil (ele controla só algumas redações de jornais em decadência), Serra achou que poderia controlar o vazamento de informações. A velha mídia comprou a versão de Serra, e deu amplo destaque para o vazamento de informações da Receita Federal, mas sem contar como começou a investigação.
7) Feriado de 7/setembro – PT decidiu pendurar o guizo no gato, e pediu que PF ouça Amaury. Um passarinho contou a esse blogueiro que Amaury – se ouvido – vai contar a história completa, jogando a bomba de volta para o colo do tucano Aécio Neves.
”O Estado de Minas” silenciou sobre o “escândalo” da Receita. Jornais serristas seguem a falar do escândalo (sem citar a vertente mineira). Mas, na internet, o cheiro de pão de queijo se espalhou, levando Serra a um silêncio obsequioso. Candidato desistiu de falar sobre o caso, e pediu para Marcio Aith procurar Amaury (Por que será? Um pedido de trégua?). Um passarinho me contou também que Amaury considera Serra e seus assessores gente não confiável. “Pensam que sou bobo, não vou falar com eles, não”. 
9) Se a bomba estourar de volta pros lados de Aécio, tudo vai ficar parecido com o atentado do RioCentro, no fim da ditadura militar: milicos da linha-dura queriam matar gente no show de Primeiro de Maio, mas a bomba estourou no colo deles, literalmente, deixando a nu como operavam os serviços de informação barra-pesada da ditadura.
10) Serra, além de não ter colhido votos com o “escândalo, deve ter deixado Aécio Neves e Daniel Dantas realmente muito satisfeitos. O segundo quer ser esquecido pela mídia (e agora Serra trouxe Dantas de volta à tona). O primeiro precisa ganhar a eleição em Minas, e tudo o que não precisa agora é de bombas plantadas em seu colo.
11) Amaury deve mesmo lançar o livro sobre privatizações, mas só depois das eleições, talvez em 2011.
Por último, três ressalvas:
- não me parece leal o PT chamar Amaury de “fora do controle”; ele e certos líderes petistas sabiam bem o que estavam fazendo;
- o vazamento de dados da Receita é grave, e precisa ser investigado (sem exploração eleitoral); se houver gente do PT envolvida, que seja punida, como acontece com qualquer cidadão;

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