segunda-feira, 8 de março de 2010

A política e a internet





*Por Orlando Barrozo

Tem razão o secretário de comunicação do PT, André Vargas, quando decreta: “A guerra de guerrilha na internet é a informação e a contra-informação”. Como comentei aqui na semana passada, é preciso ler com cuidado o noticiário, principalmente quando se trata de política e economia, pois os interesses em jogo são gigantescos. Vejo que muitos leitores continuam caindo na velha armadilha do bom contra o mau: os que são de um lado só encontram defeitos nos do outro. Esta, aliás, é uma característica das análises políticas no atual governo: tudo que aconteceu nos últimos oito anos foi ótimo, e tudo que existe de errado aconteceu antes de 2003.
É bom lembrar, pelo menos de vez em quando, que as coisas na vida não são tão simples assim. Se fossem, seria fácil resolver os graves problemas do País (de qualquer país). Muita coisa mudou no Brasil desde 2003, algumas para melhor, outras para pior. Basta olhar as estatísticas fornecidas por órgãos isentos, como IBGE, Fundação Getulio Vargas, Banco Mundial etc. Sei que dá trabalho fazer isso, mas é a única forma de analisar sem ser tendencioso. Neste espaço, onde se trata mais de tecnologia (mas não só), procuramos fazer exatamente isso. Nem sempre conseguimos, e felizmente existem leitores atentos para apontar quando isso acontece. Mas existem também os oportunistas e os que claramente estão a mando de alguém interessado no assunto. Laranjas, para dizer o mínimo.
Tentando separar as críticas sinceras daquelas, digamos, cítricas (feitas com suco de laranja), colocamos aqui regularmente links para textos publicados em fontes diversas que, acredito, sejam úteis para se refletir. Vejam a notícia que encontrei, por exemplo, no Correio Brasiliense, um dos mais tradicionais jornais da capital federal, de onde foi tirada a frase que abre este post: com vistas às eleições de outubro, o PT pretende usar de forma massiva a internet e as mídias sociais. É o que o deputado André Vargas chama de “operação de guerra”: municiar com textos, áudios e vídeos os 518.912 filiados do partido, para que reproduzam o material de propaganda em blogs e redes sociais, como Orkut, Facebook, Twitter e Google Buzz.
Diz ainda o jornal que o novo portal do PT, lançado em novembro, e que inclui canais de rádio e televisão, custou R$ 600 mil e consome ainda R$ 60 mil mensais de manutenção. Vargas, responsável pelo projeto, acha que vale a pena, pois nada menos do que 30 mil pessoas assistiram, pela web, ao discurso de Dilma Roussef, no último dia 20, quando foi aclamada candidata.
Nada contra. Sempre defendi que a internet é a mídia mais democrática que existe, e evidentemente quem souber usá-la melhor tem muito mais chances de vencer qualquer disputa. Na verdade, o PT nem faz nada de novo. Sua campanha conta com a supervisão de Ben Self, cérebro da vitoriosa estratégia de campanha online de Barack Obama. Também já comentei aqui sobre o esquema armado pelo senador José Sarney quando se intensificaram as denúncias contra ele, no ano passado: contratar uma grande equipe de “blogueiros” para disseminar informações positivas a seu respeito e, assim, tentar neutralizar aquilo que Sarney considera uma “conspiração” da grande imprensa. Tudo isso faz parte do jogo. É provável que o PSDB e outros partidos de oposição também estejam preparando algo parecido. O fato de existirem pessoas que se prestem a esse tipo de serviço é da natureza humana.
Para mim, o importante é todos saberem disso e se prepararem para o que promete ser a) a campanha mais suja de todas que tivemos desde a redemocratização; e b) a primeira campanha presidencial brasileira que realmente poderá ser decidida pela internet. Para se vacinar contra a baixaria (a real e a virtual), os especialistas recomendam: mais democracia e participação.
*Orlando Barrozo é jornalista especializado em tecnologia desde 1982. Foi editor de publicações como VIDEO NEWS e AUDIO NEWS, além de colunista do JORNAL DA TARDE (SP). Fundou as revistas VER VIDEO, SPOT, AUDITÓRIO&CIA, BUSINESS TECH e AUDIO PLUS.

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