quarta-feira, 17 de março de 2010

A Internet com um sabor bem brasileiro

marcelo branco picnik

Marcelo Branco
Ex-Diretor Geral da Campus Party Brasil
Coordenador Geral da Associação Software Livre.org

Encerramos mais uma edição da Campus Party Brasil (25 a 31/01, em SP) com a certeza de que realizamos o maior evento de tecnologia, criatividade, inovação e entretenimento em rede do mundo. O maior encontro físico das redes sociais de todo planeta. Um encontro que mostrou a Internet brasileira em “carne e osso”. E isso não foi a toa.

Reunimos durante uma semana as mentes mais criativas, mais inovadoras, mais empreendedoras e mais brilhantes da Internet no Brasil – 6 mil campuseiros (como chamamos os participantes do evento), de todos os estados brasileiros, que tiveram a oportunidade de participar de cerca de 700 horas de atividades e de desfrutar de uma banda larga com uma velocidade que sequer existe à venda no mercado: 10 Gpbs. Tudo isso não tem preço.

Trouxemos para nossos palcos discussões sobre Direitos Humanos na Internet, tema que envolve diversidade cultural, o combustível da web. Direito das pessoas com deficiência ao uso pleno da rede e o combate a exploração sexual de menores na Internet. Discutimos o novo marco regulatório da Internet, chamado de Marco Civil , o Plano Nacional de Banda Larga e a necessária reforma dos direitos autorais. Segundo Lawrence Lessig , criador das licenças Creative Commons , o Brasil poderá ter a legislação mais moderna do mundo. Acredito que nestas três edições da Campus Party Brasil, ajudamos muito nesta construção.

Abrimos espaço para pessoas que nunca navegaram na internet terem a sua primeira oportunidade no Batismo Digital. Colocamos frente a frente índios, quilombolas como protagonistas da tribo universal que se forma no mundo virtual.

Antenados com o que se passa pelo mundo a fora, combinado com o novo cenário criado pela primeira eleição no Brasil que teremos o uso livre da internet, trouxemos também Scott Goodstein, o especialista que reinventou a utilização das mídias sociais em campanhas eleitorais e contribuiu para eleger o presidente dos EUA Barack Obama; o ex-cracker Kevin Mitnick, que agora usa “seus conhecimentos para o bem”, trabalhando para fortalecer a segurança da rede; Lawrence Lessig, fundador do Creative Commons; entre outros nomes importantes.

Isso tudo mostra que a Campus Party tem um grande potencial e é o espaço certo para discutirmos questões essenciais para o futuro da Internet no Brasil. No entanto, vale lembrar que, em meio a tantas discussões “sérias”, a Campus Party continua sendo uma grande festa, um grande acampamento dos internautas, repleta de criatividade, movimento, cultura, música, jogos e alegria. Uma alegria, sociabilidade e generosidade em compartilhar que sintetizam a maior expressão da rica cultura brasileira.

É a energia dos campuseiros que garante a longevidade de um encontro como esse, que se renova a cada ano pela própria disposição dos participantes em compartilhar conhecimento.

Depois de três anos, deixo a direção da Campus Party Brasil com o sentimento do dever cumprido. Agradeço a toda nossa equipe brasileira, por todo esforço competência e dedicação. Agradeço ao nosso time global da Futura Netwoks formado por espanhóis, colombianos, mexicanos e de outras partes do mundo. Agradeço aos dinamizadores voluntários pelo excelente trabalho. Agradeço aos patrocinadores e apoiadores institucionais, pois sem eles esta festa não seria possível.

Mas gostaria de dedicar esta minha despedida da direção do evento aos que, pra mim, foram as principais estrelas deste evento: os campuseir@s brasileir@s.

Vida longa para a Campus Party Brasil!!

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