segunda-feira, 22 de março de 2010

Curso ensina sogros e sogras a não interferir na vida do casal



Pelas contas da arquidiocese de Udine, na Itália, a intromissão de sogros e sogras é responsável por até 30% das separações de casais no município.
Essa novidade, eu tenho certeza que o Dicró iria adorar! Inventaram, na Itália, um curso para a sogra! E é isso mesmo que você está imaginando: o curso é para sogra e sogro aprenderem a não atrapalhar a vida do casal.

Unidos até que a sogra os separe! Essa é a complicada realidade de muitos casamentos em Udine, uma cidade pacata no nordeste da Itália. De acordo com o padre responsável pela Pastoral da Família, é uma situação que não combina com os udinenses, um povo extremamente religioso e apegado às tradições da família. Don Giuseppe Facchin explica que tem muito sogro e sogra metendo a colher na vida de marido e mulher.

Pelas contas da arquidiocese de Udine, a intromissão de sogros e sogras é responsável por até 30% das separações de casais no município. A associação dos advogados especializados em divórcios confirma essa estatística.

Por isso, foi criado um curso especial sobre o comportamento dos pais diante do casamento dos filhos. Na prática, o objetivo é ensinar os sogros e as sogras a se botarem em seus devidos lugares no âmbito familiar. Mais de 250 sogros, sogras, noras e genros lotam um auditório semanalmente, todos interessados em salvar matrimônios.

“Demorei a aceitar que me intrometia no casamento do meu filho. Implicava com minha nora, com a comida que ela fazia, com o jeito com que se vestia, com tudo”, diz uma sogra.

Um sogro vai além: “Os pais se intrometem querendo ajudar. O pior é que por sermos mais velhos, temos mais dificuldade para aceitar quando estamos errados. Para nós, o erro é sempre dos nossos genros ou noras”.

O curso “Famílias em diálogo” é um grande debate, franco e aberto, coordenado por psicólogos. Eles orientam os avós a auxiliar na criação dos netos sem desrespeitar as escolhas dos pais das crianças e ressaltam que sogros e sogras não devem achar que tudo tem que ser do jeito deles.

“Quem não tem problema, especialmente com a sogra?”, se pergunta a nora que participa do curso ao lado da própria.

Sogros e sogras, noras e genros, unidos em torno da palavra tolerância. No Brasil, será que a arte de ser sogro ou sogra também se aprende na escola? “Eu aprendi que eu não devo ir a casa deles sem avisar”, disse a dona de casa Maria Aparecida Brandão.

“Eu aprendi que o principal para eles é distinguir entre a interferência e a intromissão. Interferência a gente considera uma atitude adequada, uma atitude solicitada e de aconselhamento. Agora, intromissão é o contrário”, explicou o médico Carlos Alberto de Souza.

No Rio de Janeiro, Carlos Alberto e Maria Aparecida participaram de um curso de noivos da Igreja Católica que oferece palestras para futuros sogros. O curso dura um dia e é comandado por um sacerdote e também por quem é do ramo: os sogros, claro.

“Nós temos que estimular que eles tenham fé, esperança, que eles vão ter uma vida plena, que eles vão construir tudo que eles têm vontade de construir. Nós estaremos sempre ali para ampará-los”, destacou a palestrante Maria Christina Bevilacqua e Silva.

Quem não faz curso tem que aprender na prática. “Aprendi a respeitar os limites deles, a ter os meus, porque eu tenho que ter limite. Sou um pouco abusada e um pouco atrevida”, admitiu Quênia Lemos, sogra do Irlan.

“A gente passou a ter uma boa convivência e trouxe para dentro do relacionamento uma vida melhor para todos nós”, avaliou Irlan Dantas, genro da Quênia.

Mas tem gente que prefere nem discutir essa relação. “Ninguém perturba ninguém, a gente se atura”, diz uma jovem.

“Eu e meu namorado, a gente briga muito. Aí houve um atrito muito grande entre a gente. Só que ela me trata muito bem, com todo respeito. E eu a trato com todo respeito. Ela é uma ótima pessoa, só não falo com ela”, comenta outra jovem.

Tem gente que parte para a briga mesmo. A jornalista Amanda Themistócles do interior de São Paulo até publicou um livro. “Resolvi me vingar da minha sogra e escrever ‘Minha sogra rima com cobra’”, diz a jornalista.

Mas por que essa rima? A autora diz que a sogra-cobra é aquela que... “Alimenta a insegurança da mãe, tenta tomar o espaço, não divide, quer atenção só para ela, usa os netos para manipular a situação e por aí vai”, afirma Amanda.

Moral da história: sem respeito, solidariedade e diálogo, nenhuma relação dá certo. “Sogrinha, eu não sou o Dicró, não”, brinca Irlan.

“Não vou reclamar da minha sogra. Vou te dar um beijinho, a senhora mora no meu coração”, derrama-se Irlan. “Você também”, retribui Quênia. “O Dicró reclama. Eu, não”, compara Irlan. 

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