terça-feira, 9 de março de 2010

Como organizar uma campanha eleitoral

• Organizar uma campanha eleitoral é como abrir uma empresa que tem como meta a liderança de um setor. Mas em tempo recorde e sem direito a falhas. Sim, é como fundar uma empresa que começa do nada e tem que funcionar em poucas semanas se não perfeitamente, ao menos muito melhor que as suas concorrentes. Essa tarefa inclui desde contratar um grande time que nunca trabalhou junto até estabelecer hierarquias, estruturas, fluxos, padrões, estratégia, táticas. E depois de tudo alcançado, mesmo que seja campeã, esta empresa de sucesso está fadada ao mesmo fim das empresas fracassadas: fechar suas portas.

O CANDIDATO

• Tudo começa por você e aqui vou usar uma expressão que jamais uso para definir um candidato, porém como partimos do pressuposto de que a campanha é uma empresa, não tem jeito, aqui vai: você, candidato, não vai ser o dono, nem o presidente, nem mesmo o diretor ou gerente desta empresa chamada campanha. Simplesmente porque você é o único elemento insubstituível, a razão de ser da empresa: isso mesmo, você é o produto (desculpa de novo pela definição, mas é mais fácil pra entender). E se você, produto, tem que se tornar o projeto de vida de todos os funcionários da empresa para ser o objeto do desejo do consumidor final, no caso, o eleitor, tem que estar bem apresentado, atraente, disponível, enfim, não dá pra você ser o gerentão e ainda querer estar em tudo que é prateleira, certo?

• Trocando em miúdos: você, que é o centro de tudo terá que ir em busca de uma palavrinha mágica chamada profissionalização. Isso mesmo, como nas empresas familiares em determinadas sucessões, você tem que procurar um presidente profissional para a sua empresa, além de um diretor-financeiro, de um diretor de marketing, de um diretor de logística, de um diretor-administrativo, de um diretor de recursos humanos, de um diretor-jurídico…

• Cada empresa, ops, cada campanha, estabelece um organograma um pouco diferente da outra, um fluxograma idem. Mas as regras básicas de administração são as mesmas, basta você entender quais são as suas possibilidades (vai ser empresa de fundo de quintal? microempresa? multinacional?) e se ater a ser o mais eficiente dentro da sua categoria. O segundo passo é encontrar pessoas-chave de confiança e de competência comprovada em suas áreas. A partir daí você tem que deixar o barco correr, pois qualquer intervenção sua e pode ser a gota d’água.

ORGANOGRAMA

• Primeira regra: não deixe que se faça um organograma muito grande. Isso é coisa de amador, de gente indecisa, de gente que quer agradar a torcida e pensa no século retrasado (lembra alguma coisa?). Mas então: campanha não é nem hora nem lugar para fazer política. Calma, eu explico: é claro que uma campanha é sobre política e que é preciso abrir espaço para o máximo de gente participar, mas tome cuidado para não burocratizar o que deve funcionar sem entraves: o que vamos chamar de a sua diretoria-executiva. Esta deve ser acima de tudo eficiente. E ponto final.

COORDENADOR-GERAL

• A primeira pessoa a ser escolhida é o presidente da empresa, no nosso caso o coordenador-geral de campanha. É ele quem vai dar o tom, o ritmo do trabalho. Sugiro que você busque um executivo de alto padrão, embora essa gente queira cada vez menos se envolver com campanhas eleitorais. Mas insista, que vale a pena: sempre tem um sujeito pronto para ser mordido pela mosca azul da competição. Pense bem. Pode ser um amigo seu, alguém que já trabalhou com você, um familiar, sobretudo alguém em quem você confie (acho melhor sua mãe não, que ela pode confundir as coisas).

• Sério, você tem que confiar na pessoa para quem você vai entregar o seu futuro. Pense em alguém que tenha poder de decisão (e vontade de exercê-lo), bom caráter, capacidade de liderança e boas condições de saúde, disposição e disponibilidade. Também tem que ser alguém disposto a morrer por você, ou pelo menos pela sua causa. Se você encontrar alguém com estas qualidades, meio caminho estará andado.

• O coordenador-geral de campanha, juntamente com você, é quem deve formar a equipe. Se a campanha vai ser comandada por ele e não por você, pense bem antes de impor um coordenador mala que é seu amigo mas que terá dificuldade de funcionar sob o comando de outra pessoa. Evite levar gente que representa confusão para o centro de decisão de sua campanha.

CONSELHO POLÍTICO

• Logo abaixo do coordenador de campanha, mas não acima do resto da diretoria, deve vir o Conselho Político da campanha. Essa sim é uma turma a ser pensada. Devem estar ali representados os partidos da sua coligação, além de alguns políticos mais notáveis de sua região ou de seu grupo (atuais ou ex senadores, governadores, prefeitos etc.).

• Tome cuidado para ter um pequeno conselho que seja deliberador, para aqueles momentos de crise da campanha, e outro que seja mais amplo e no qual você tenha um coordenador político experiente com capacidade para encaminhar os assuntos sem que os participantes sintam-se menosprezados.

• É importante que esse coordenador seja também um elemento de ligação entre as decisões do grupo e as demais áreas da campanha. Porque não há nada pior que submeter o candidato a assembléias no calor da luta ou, quase pior, o pessoal da comunicação e de outras áreas executivas a ouvir palpites e reclamações de um sem número de pessoas bem na hora em que precisariam estar produzindo. Veja, as colaborações de políticos e de amigos são muito importantes, mas não as de todo mundo e nem a toda hora. Se você é o candidato, cuide que o seu coordenador-geral preserve a equipe, que é o mínimo que ele pode fazer pelo time que está em campo pra ganhar com você.

FINANCEIRO

• Este “quadradinho” do seu organograma deve estar na mesma altura daquele do Conselho Político, abaixo do coordenador-geral. Entenda que a grande maioria das decisões da campanha vai depender do coordenador financeiro, pois é ele que movimenta a máquina.

• O coordenador-financeiro não é apenas um caixa pagador e sim um administrador das finanças desta grande empresa chamada campanha. Ele precisa ter visão estratégica para saber como vai arrecadar e também para resolver quanto e como vai pagar cada um dos serviços da campanha.

• Claro que junto dele devem estar mais arrecadadores (gente de extrema confiança, claro), contadores e advogados (hoje essa área de prestação de contas é a mais importante de todas devido à nova legislação) e o próprio caixa, aquele que organiza e libera os pagamentos nas datas combinadas.

COMUNICAÇÃO, JURÍDICO, LOGÍSTICA, MOBILIZAÇÃO, PROGRAMA DE GOVERNO

• Numa linha horizontal e com mesma importância no organograma ficam todas as outras áreas das campanhas. Nos próximos dias vou complementar este post detalhando cada uma destas áreas e sugerindo como organizar o fluxograma para que tudo funcione direito. Como uma empresa daquelas líderes de mercado.

Um comentário:

Anônimo disse...

Meu amigo André, não se da gratuitamente o que se pode vender. Brincadeira. Mas faria uma ressalva, o financeiro deve no mínimo estar lado a lado do coordenador geral, senão não funciona.

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