sábado, 23 de janeiro de 2010

Quando o problema vai além do "jornalismo mauricinho"







*Fernanda Borges


Não é de hoje que qualquer pessoa um pouco mais instruída consegue perceber que o jornalismo tem andado na corda bamba. Crise pra todo canto. Profissionais experientes ou recém formados, tá todo mundo clamando por socorro. Ninguém mais tá aguentando ver, não só a perda da essência jornalística de décadas atrás, como principalmente assistir a proliferação contínua de profissionais esquisitos surgindo na praça. E digo esquisito que é pra não chamar de coisa pior. Tem gente de todo jeito. A incopetência e a busca pelo "furo" tem andado juntos como tratores massacrando a ética e a moral. Não há mais a preocupação com a credibilidade, com a educação, com a verdade e com o básico que é a vida humana. E quando digo verdade, é aquela verdade verdadeira mesmo, não aquela dita da boca pra fora. É aquela que ocorre no respeito à fonte, ao colega de trabalho, ao entrevistado, ao próprio profissional. Porque tem gente que não respeita nem a si mesmo, quem dirá o que está em sua frente, gemendo de dor no meio dos escombros de um terremoto. Isso não é nada, não é mesmo? O que vale é ficar segurando o microfone na boca da mulher que clama por água e vida e só assistí-la. E pensar na exclusividade, é claro.
Os últimos dias tem sido marcados por gente de todo canto reclamando desse jornalismo podre que tem rolado por aí. Gente como eu, como você, que curte escrever alguma coisa por aqui na net porque algumas coisas simplesmente precisam ser ditas. A Denise que tá ralando lá em Curitiba, se questiona um pouco sobre a profissão. O Bortolotto precisou "catar milho" com uma mão só por longos minutos pelo jeito, pra mostrar em seu blog até aonde a falta de respeito com o ser humano chega. O Pinduca comentou lá no seu espelunca, e o Márcio também defendeu seu amigo em seu espaço, por meio do texto "A Imprensa Marginal". Não foram poucos os que comentaram em seus blogs as barbaridades que tem sido mostrada na cobertura do Haiti. Gente que mal tem chão - porque a terra por lá parece insistir em continuar tremendo - sendo exibidas como troféis em canais da TV aberta. Eu tô realmente cansada de tudo isso. E eu acho que serei redundante se falar algo a respeito porque essa galera que eu destaquei aí, mandou bem. Então, só pra fechar a conta do buteco e pegar a saidera, deixo esse vídeo que recebi esses dias. Acho que retrata um pouco dessa merda toda.


* Editora do Blog Menina de Amaralina

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