terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Entrevista com o Ex-Ministro José Dirceu 2º Parte:



André Guimarães: Várias pessoas são marcadas perpétuamente, pela exposição em programas policiais sensacionalistas. Muitas são totalmente execradas, antes de qualquer julgamento legal. Não há duvidas sobre esses abusos, verdadeiros atentados ao estado democrático de direito. O que o Sr. acha da atuação destes programas de TV que usam e abusam da imagem alheia em nome da liberdade de imprensa?

José Dirceu: Considero-os um completo absurdo. Uma invasão sem medidas na privacidade das pessoas, perversa, capaz de desestabilizar vidas. Temos o exemplo recente do caso do seqüestro de uma garota em Santo André, que terminou em tragédia e tantos outros. Infelizmente, o sensacionalismo, movido pelo mercado, pela audiência – ainda que à revelia dos mais sagrados direitos humanos – abrange todos os setores da mídia. Não posso deixar de comentar, nessa resposta, meu caso. Costumo dizer que cumpro uma pena desde que saí do governo, sem julgamento algum e sem o direito à presunção da inocência. Poucas pessoas da sociedade brasileira sabem que ainda não fui julgado. A maioria já me condena, embora desconheça o meu processo. Você irá perguntar, por que isso? Porque sou vítima de julgamento político. Fui prejudicado por setores da mídia que abusaram do direito constitucional de liberdade de imprensa. Sofri um processo difamatório regido por interesses políticos. A exposição predatória na imprensa, policial ou não, sem julgamento oficial é um dos grandes males a que a sociedade brasileira está submetida hoje em dia.

André Guimarães: Em Londrina, apesar de ter sido marcado um novo segundo turno, ainda há muitas incertezas dado o fato da justiça ser muito morosa. Será que um dia o Brasil terá um poder Judiciário que realmente atenda as necessidades do povo como um todo? Qual o papel do povo na "reforma do Judiciário"?

José Dirceu:
Todos esperamos um poder Judiciário ágil. Temos que levar em conta que ocorrem transformações no país, ainda que em um ritmo não satisfatório. Muito já foi realizado, mas há muito ainda a ser feito. O fundamental, nesse aspecto, é uma reforma do Judiciário, que traga maior eficiência a esse poder e atenda aos anseios da população. Não é novidade os malefícios que a lentidão da Justiça provoca, não apenas o caso do TSE que você comenta e que tanto prejudica a democracia. Nesse processo, é fundamental a participação da sociedade, entidades e movimentos. Somos todos prejudicados. Cabe a sociedade denunciar, pressionar e lutar para que suas instituições melhorem e a representem de maneira adequada e democrática.

Leia a  3º parte 

Um comentário:

Pedro Paulo Moraes Monteiro disse...

Somente os inocentes e mal informados acreditaram na condenação de José Dirceu.Isso aconteceu por ele ter uma conduta diferente da maioria de seus pares.Gostei da entrevista e do espaço dado ao José.

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