quinta-feira, 20 de novembro de 2008

A criminalidade, a periferia e o poder Judiciário. Um desabafo..






Mais uma mãe de um conhecido de infância esta apavorada, o Filho dela foi preso, ele é acusado de roubar R$ 40.00 (muito muito menos que os R$ 200 milhões que o Belinati fez sumir) ela jura que o Filho é do bem...ele esta no contêiner do 2º DP Policial. o caso deste meu conhecido, que usa mais Crak do que come..me lembrou o Documentário Falcão meninos do trafico produzido pelo MC, MV BIL e o Produtor Celso Ataíde, membros da Central Única das Favelas (CUFA), eles documentaram a face da periferia que nunca vêem a publico nos programas Policiais da hora do almoço, uma face composta por seres Humanos que convivem dia a dia com a Criminalidade numa rotina macabra que acaba introduzindo a insegurança como cultura, na vida de centenas de famílias pobres do Brasil.
O que mais me impressionou no documentário foi à constatação de que a sociedade não conhece a realidade de muitos brasileiros, e já que a sociedade não a conhece, me levam a questionar o direito desta mesma sociedade poder criar as leis de direitos, deveres e penalidades para gerir o público das periferia, que são em grande parte marginalizados da sociedade, os seres humanos que encontram infelizmente na vida “loca” do crime a única alternativa de ter sua “dignidade”, tem de ser atendidos por programas sociais que o reabilitem para a sociedade e não esta falida instituição nomeada; cadeia, que a séculos se multiplica na mesma proporção da insegurança publica, em todo país.
O sistema Judiciário do Brasil não funciona como deveria, por conta dos Juizes, Promotores viverem muito afastados dos bolsões de misérias, da realidade das favelas e inclusive das delegacias, locais onde a democracia parece apagar antes mesmo do cidadão ser condenado. No Brasil que eu saiba não existe advogados gratuitos nas delegacias para instruir o suspeito nos procedimentos internos de uma delegacia e principalmente perante o absurdo sensacionalismo aplicado por jornalistas de programas policiais que fazem a tragédia humana se transformar em lucros exorbitantes na forma de Publicidade. Alem da carência de índices qualitativos nos quesitos básicos da cidadania, os moradores das periferias sofrem constantemente o preconceito por simplesmente não ter dinheiro, estas causas levam o cidadão a ser mais um candidato para a vida bandida. As pessoas que estão prestes a participar do mundo do crime ou os já intitulados criminosos não devem ser exterminados, mais sim disputados pelo estado numa luta contra o monstro da “bela vida marginalizada”, As armas da sociedade organizada não podem se resumir em Pistolas .40 para a policia, e sim em armas em forma de políticas públicas nas áreas esportivas, culturais, assistenciais, ambientais e educacionais voltadas principalmente para o jovem da periferia.
Em quanto o acesso ao Judiciário ser majoritariamente corporativista e “dinheirista” o pobre criminoso ficará sofrendo o rigor da lei, em quanto o cidadão criminoso com dinheiro consegue através de bem pagos advogados, brechas que permitem inúmeras regalias jurídicas. Faz-se necessário uma CPI das altas taxas cobradas nos cartórios do poder Judiciário, é preciso de uma reforma moral neste poder tão importante para a sociedade, que ao mesmo tempo em que é essencial é obscuro aos olhos do povo em quanto à organização e procedimentos a serem adotados pelos contribuintes. Seria de extrema importância se o MEC, (Ministério da Educação) incluísse na grade curricular do ensino médio a matéria de direito básico. O acesso à justiça deve de ser democratizado, e o estado tem de investir para o crescimento com qualidade da justiça publica, para acabar com as sobrecargas dos advogados públicos que muitas às vezes prestam seus serviços a centenas de pessoas ao mesmo tempo. Não é possível um país com um imenso contraste social, como o nosso, continue a ter um poder judiciário que privilegia no seu atual modelo o cidadão com mais dinheiro ao mesmo tempo em que justiça para o povo pobre se resume em espera e cadeia lotada.

Um comentário:

Lucas disse...

opa, é verdade. sem justiça social não haverá paz. a riqueza deve estar bem repartida, assim como outras cositas mais.. um abraço!

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